Empresas de ônibus do Entorno do DF ficam com nota zero para renovação de frota, em avaliação da ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou o 2º Ciclo de Avaliação do Índice de Qualidade do Transporte (IQT), e os resultados para as empresas que operam o transporte semiurbano entre o Distrito Federal e as cidades do Entorno são desanimadores. Nenhuma das operadoras conseguiu atingir a nota 7, patamar considerado mínimo para uma classificação positiva no levantamento, prejudicando a população do Entorno do DF.

A melhor colocada entre as avaliadas foi a Amazônia Inter Turismo, que obteve nota 6,94 na avaliação e foi enquadrada na categoria “Boa”, atuando na região de Planaltina. Em seguida, aparecem a UTB (União Transporte Brasília), com 6,74, e a Kandango Transportes e Turismo, com 5,39, esta última já na classificação “Regular”. Contudo, é importante ressaltar que nenhuma empresa alcançou a faixa de excelência determinada pela ANTT.

SITUAÇÃO CRÍTICA DAS EMPRESAS

Na outra ponta da tabela, a situação é mais preocupante. A Central Expresso Transportes, operando em Luziânia, recebeu 3,27, enquanto a Rota do Sol, que atende Novo Gama e Lago Azul, ficou com 3,18. Ambas foram classificadas como “Ruim”. A RMDS Transportes, de Santo Antônio do Descoberto, teve nota 2,32, e o pior desempenho coube à Global Transportes Rodoviários, de Águas Lindas, que obteve apenas 1,67, classificando-se na categoria “Crítica”.

Embora o sistema semiurbano do Entorno tenha apresentado uma ligeira melhora no índice global, passando de 4,54 para 5,00 em relação ao primeiro ciclo, a classificação geral permanece como “Regular”. Um dos pontos de maior preocupação é a renovação da frota, que recebeu nota zero, indicando que as empresas não estão investindo na modernização de seus veículos. Outros problemas detectados incluem falhas na gestão operacional e dificuldades na entrega de informações financeiras. Por outro lado, a percepção dos passageiros foi o quesito mais bem avaliado, com nota 9,5.

O Índice de Qualidade do Transporte foi estabelecido pela ANTT para fiscalizar o desempenho do transporte semiurbano interestadual, considerando critérios como pontualidade, segurança, eficiência, conservação dos veículos e a satisfação dos usuários. As empresas classificadas nas categorias “Ruim” e “Crítica” têm um prazo de 150 dias para apresentar planos de correção, sob o risco de sofrerem penalidades da agência reguladora.

DESAFIOS NO TRANSPORTE DO ENTORNO

A mobilidade urbana no Entorno do Distrito Federal representa um desafio diário para milhares de pessoas. Com percursos que superam os 40 km, a dependência do DF para trabalho, educação e acesso a serviços públicos sobrecarrega diariamente o sistema de transporte. A falta de investimento em veículos novos e eficientes, que poderiam reduzir o consumo de combustíveis fósseis, acarreta em custos elevados de manutenção para a frota envelhecida.

Em 2025, o sistema de transporte do Entorno do DF, que abrange municípios como Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Luziânia, Novo Gama, Planaltina, e outros, movimentou cerca de 49 milhões de passageiros, evidenciando seu papel crucial na conectividade da região.